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Calendário histórico

Janeiro de 2021

"A despeito de todos os avanços desde 22 de junho de 1941, os alemães haviam fracassado em atingir seus objetivos por toda parte. O otimismo presunçoso das primeiras semanas da Operação Barba Ruiva dera espaço a uma crescente sensação de crise, refletida nas repetidas demissões dos generais líderes por Hitler. As forças militares alemãs haviam se mostrado vulneráveis pela primeira vez. [...] A invasão da União Soviética havia mudado a face da guerra de forma irrevogável. [...] No fim, foi na frente oriental, mais do que em qualquer outra, que se decidiram os destinos da guerra"

(Richard Evans, “O Terceiro Reich em Guerra”)

Desde junho de 1941, o Terceiro Reich vinha empreendendo operações para invadir o território da União Soviética. Com a deflagração da Operação Barba Ruiva, a Wehrmacht conseguiu o controle de importantes regiões da URSS, principalmente a Ucrânia, que tinha grande parte dos recursos minerais da União. A ideia inicial era cercar o inimigo, minando os recursos econômicos: a queda de Moscou viria como consequência. Apesar das grandes perdas para o exército alemão, cerca de 400 mil homens durante a campanha, Hitler acreditava ser possível tomar Moscou antes da próxima primavera, levando-o a crer que até meados de 1942 a guerra estaria decidida em favor do Reich.

Um grande número de tropas foi redirecionado para a marcha até Moscou: cerca de dois milhões de soldados alemães e dois mil tanques, além de aviões avançaram rumo à capital soviética em outubro de 1941, na chamada Operação Tufão. Entretanto, as forças soviéticas haviam se reorganizado e com a proximidade do inverno, a situação tornou-se cada vez mais insustentável. As tropas alemãs, equipadas para uma campanha que duraria apenas até o outono, estavam pouco vestidas e mal preparadas, o que impediu grande parte delas de chegarem ao front. Com os soldados exaustos, sofrendo com parasitas, gangrena, falta de suprimentos e com um número crescente de perdas, as tropas alemãs finalizaram seus combates no dia 7 de janeiro de 1942 e na tarde do dia 8 bateram em retirada.

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“Numa tentativa de fugir do inevitável desastre, os propagandistas do Eixo estão testando todos os seus velhos truques para dividir as nações unidas. (...) Este é seu último esforço para colocar uma nação contra a outra, na vã esperança de que eles possam se resolver com um ou dois por vez - de que algum de nós seja ingênuo e esquecido o suficiente para ser enganado a fazer um “acordo” em detrimento de nossos aliados. A essas tentativas apavoradas de escapar das consequências de seus crimes nós dizemos (...) que os únicos termos com os quais vamos lidar com os governos ou facções do Eixo são os termos proclamados em Casablanca: “Rendição Incondicional”.”

(Pronunciamento em rádio do presidente Roosevelt, 12 de fevereiro de 1943)

A Conferência de Casablanca, que ocorreu na cidade de mesmo nome no Marrocos, foi uma das diversas reuniões entre os líderes dos países Aliados para determinar os rumos estratégicos e diplomáticos da guerra. Estavam presentes em Casablanca o presidente Roosevelt dos Estados Unidos, o primeiro-ministro Winston Churchill do Reino Unido e os generais das forças francesas livres Charles de Gaulle e Henri Girard. Stálin recusou o convite para participar da conferência, pois sua presença era essencial no comando da Batalha de Stalingrado.

As decisões militares tomadas em Casablanca tiveram um impacto duradouro no curso que a guerra iria tomar nos anos seguintes. As determinações aliadas da conferência foram fundamentais para que a Inglaterra e os Estados Unidos, principalmente, alinhassem seus objetivos militares, firmando uma estratégia unificada para a condução da guerra.

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“Os trabalhadores escravos judeus seriam privados de rações adequadas e trabalhariam até cair. [...] A referência quase parentética ao fato de que os judeus do Governo Geral eram na maioria inadequados para o trabalho, mais a declaração de que aqueles que sobrevivessem às colunas de trabalho seriam mortos, significa que o objetivo principal do encontro foi discutir a logística do extermínio. Os homens sentados em torno da mesa na villa de Wannsee estavam bem cientes disso”

(Richard J. Evans, “O Terceiro Reich em Guerra)

A Conferência de Wannsee foi um marco nas decisões do Terceiro Reich para a chamada “Questão Judaica”. A reunião levou a uma completa reestruturação dos campos de concentração, que passaram a ter uma organização burocrática mais complexa e passaram a ser, mais amplamente e sistematicamente, local de implantação e efetivação da vasta máquina de extermínio nazista. Os prisioneiros dos campos eram vistos não apenas como “sacrificáveis”, mas também como um verdadeiro obstáculo “ao reordenamento racial da Europa" a médio e longo prazo. E, por isso, eles deveriam ser submetidos ao “extermínio através do trabalho”, como aponta o historiador Richard Evans.

Vale ressaltar, também, que a Conferência de Wannsee e as suas consequências aconteceram em uma atmosfera de violenta propaganda antissemita, liderada por Hitler. Um exemplo disso foi o discurso realizado por ele em 30 de janeiro de 1942, que acontecia tradicionalmente para marcar o aniversário de sua nomeação como chanceler. Ele disse: “Estamos [...] certos de que a guerra só pode acabar ou com os povos arianos sendo exterminados, ou com a judiaria desaparecendo da Europa [...] Dessa vez a verdadeira velha lei judaica do ‘olho por olho, dente por dente’, está sendo aplicada pela primeira vez”.

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📅 Hoje completa 76 anos da libertação de Auschwitz.

Auschwitz foi um dos maiores campos de concentração nazista, onde cerca de 1.1 milhão de pessoas perderam suas vidas. Embora os números sejam assustadores, não devemos nos esquecer da importância de cada uma dessas vidas. Podemos dizer que a chegada dos russos ao campo representa, simbolicamente, o momento em que o mundo descobriu a verdade sobre o Holocausto e se deu conta da dimensão do que havia acontecido. Por isso, o dia 27 de janeiro, a data da libertação, foi escolhido pela ONU em 2005 para ser o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. O propósito dessa data é honrar a perda das vítimas do nazismo.

Mas, além disso, a memória do Holocausto deve ser mantida viva para educar as novas gerações na esperança de que a tragédia não se repita. Um ano atrás, esse calendário histórico foi o primeiro post de divulgação científica que fizemos por aqui no instagram do NEPAT. Assim, reafirmamos a necessidade de carregar o fardo dos acontecimentos que nos foram legados pelo século XX, e de continuar a estudar e compreender a nossa história na tentativa de construir um futuro melhor.

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