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Calendário histórico

Janeiro de 2020

"Poderíamos, então, perguntar-nos se vale mesmo a pena, se convém que de tal situação humana nos reste alguma memória. A essa pergunta, tenho a convicção de poder responder que sim. Estamos convencidos de que nenhuma experiência humana é vazia de conteúdo, de que todas merecem ser analisadas; de que se podem extrair valores fundamentais (ainda que nem sempre positivos) desse mundo particular que estamos descrevendo"

(Primo Levi)

Há 75 anos, em 27 de janeiro de 1945, tropas soviéticas entravam no campo de concentração e extermínio de Auschwitz, local onde cerca de 1,3 milhão de pessoas foram assassinadas, sendo 90% delas, judeus. O regime nazista não poupou esforços para tornar o extermínio dos sujeitos indesejados na sua sociedade algo sistematizado e eficiente. Além dos judeus, ciganos, negros, homossexuais e deficientes também foram alvos do Terceiro Reich. 60 anos após a liberação do campo, em 2005, a Organização das Nações Unidas (ONU) designou esse dia como Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Ato simbólico para relembrar as 6 milhões de vidas perdidas durante o regime, faz-se necessário estar atento sobre a importância de não minimizar ou subestimar as atrocidades cometidas, afinal, eles põe em cheque os limites comumente imaginados da crueldade humana. Como refletiu a filósofa Hannah Arendt, todos carregamos o fardo desse acontecimento e, sendo assim, somos responsáveis por rememorá-lo, estudá-lo e compreendê-lo, na tentativa de evitar que algo similar aconteça novamente e ceife vidas inocentes.

"De vocês, meus camaradas de partido, tenho apenas um grande pedido: dê-me sua confiança e sua devoção nesta nova grande luta, assim como no passado, então o Todo-poderoso também não nos negará Suas bênçãos para reestabelecer um Reich de honra, liberdade e paz doméstica."

(Adolf Hitler, discurso de posse em 1933)

Em 30 de janeiro de 1933 o então presidente da Alemanha Paul von Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler do seu governo. Na época o cargo de chanceler traduzia a competência de chefe de estado da Alemanha, que trabalharia em conjunto com o presidente. Hindenburg aceitou relutante a nomeação de Hitler, ainda assim, este foi um marco decisivo para a virada de poder de Hitler e do partido nazista (NSDAP), trazendo para ambos influência política e posições de poder. Nota-se a partir da sua posse a construção da figura de Hitler como autoridade governamental.

 

Um pouco mais de um ano depois, em 5 de agosto de 1934, após o falecimento de Hindenburg, Adolf Hitler funde os cargos de chanceler e presidente e passa a ser tratado pelo título de Führer.
Marca-se assim, tanto em seus discursos quanto no exercício do poder, um rompimento e um processo de invalidação dos ideais e atuações da República de Weimar. Apoiado pela população na negação da efetividade da República, Adolf Hitler sobe a escada do poder por meio dos degraus da democracia, e é ovacionado pelo povo ao exterminá-la.

"Vocês e o povo alemão estão determinados, caso o Líder ordene, a trabalhar 10, 12 e, se necessário, 14 e 16 horas por dia e dar o máximo pela vitória? Eu pergunto: vocês querem guerra total? Vocês querem, se necessário, uma guerra mais total e mais radical do que podemos imaginar hoje?"

(Joseph Goebbels, discurso em 18 de fevereiro de 1943)

Em 31 de janeiro de 1943, finalizava-se um dos episódios de maior relevância para o desfecho da Segunda Guerra Mundial: a rendição alemã em Stalingrado. Após o fracasso na tomada de Moscou e na campanha em Leningrado, Adolf Hitler ordenou que as forças militares alemãs, já desgastadas por um inverno rigoroso, pela fome e por doenças, rumassem para a cidade, em 12 de setembro de 1942. O comandante responsável pela invasão foi Friedrich von Paulus, um oficial inexperiente que passara grande parte da sua vida em cargos administrativos. Os soldados permaneceram na cidade por ordens do Führer, já padecendo com a escassez de comida, que enfraquecia a resistência dos homens no frio e os levavam a adquirir várias doenças. A situação desesperadora em janeiro de 1943, somada a falta de munição, demonstrava que a ocupação de Stalingrado não conseguiria se manter por muito tempo. Hitler negou todos os pedidos de rendição, dando às tropas alemãs o mesmo destino que destinava aos eslavos.

Paulus se rendeu em 31 de janeiro junto com as suas tropas e o que restou das seis divisões foram bombardeadas sem piedade pelos russos. Em 2 de fevereiro, os alemães que ainda permaneceram na cidade finalmente se renderam. Mais de 200 mil alemães haviam sido mortos. De acordo com o historiador Richard Evans, "era impossível dar uma explicação para uma derrota daquelas dimensões". Apesar dos esforços de Goebbels para produzir uma propaganda que levantasse os ânimos na Alemanha, havia uma convicção generalizada de que Stalingrado havia sido "o começo do fim". Com a perda de 1/4 de suas forças militares, a Alemanha perdeu territórios na URSS, na Itália e no norte da África. O Dia D se aproximava, em 1944, e com ele, a queda da Alemanha nazista.

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