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Calendário histórico

Julho de 2020

"O doutrinamento que os jovens alemães recebiam pela Juventude Hitlerista era incessante. Embora tomasse emprestado o estilo das organizações de jovens existentes, com caminhadas, acampamentos, canções, rituais, cerimônias, esportes e jogos, era uma organização enfaticamente controlada de cima, dirigida não pelos próprios jovens, como o antigo movimento jovem havia sido, mas pela liderança da juventude do Reich, subordinada a Schirach. A organização emitiu diretrizes rígidas sobre as atividades executadas. Todos os que se filiavam tinham que jurar um voto de lealdade pessoal a Hitler. [...] As canções que cantavam eram nazistas, os livros que liam eram nazistas [...] Com o passar do tempo, o treinamento militar assumiu cada vez mais o primeiro plano."

(Richard Evans, "O Terceiro Reich no poder")

A Juventude Hitlerista era uma organização nazista, que passou a ser de alistamento obrigatório a partir de 1936 e que abarcava jovens de 6 a 18 anos. A Liga das Jovens Alemãs era o equivalente feminino à Juventude Hitlerista, uma organização para moças entre 14 e 18 anos. Essas duas associações representavam os únicos coletivos de jovens permitido durante a Alemanha nazista, que serviam basicamente para doutrinação e adequação à ideologia do regime. A Juventude Hitlerista começou a crescer exponencialmente a partir de 1933 e no final de 1935 contava com 4 milhões de meninos e meninas entre dez e 18 anos de idade; em 1939, esse número atingiu 8,7 milhões.

Richard Evans argumenta que estar na Juventude Hitlerista abarcava uma sensação de pertencimento, de propósito e de grupo e que, “ainda que os garotos mais velhos conservassem alguma coisa das crenças que seus pais socialdemocratas, comunistas ou católicos houvessem lhes transmitido, os mais jovens eram ‘desde o começo alimentados apenas com o espírito nacional-socialista”.

Essa concepção de não existir vida fora do Partido com o fim de todas as formas de cooperação e organização livres era muito eficiente, uma vez que os indivíduos não tinham para onde ir e nem sabiam com quem poderiam conversar caso tivessem alguma discordância.

“A Segunda Guerra Mundial tirou o fascismo da equação e também deixou potências tradicionais como Alemanha, Itália e França destruídas. Até mesmo a Grã Bretanha, nominalmente um dos grandes vencedores da guerra, estava no precipício da falência e em risco de perder o império que tinha sustentado seu status de grande potência. No lugar dos tradicionais poderes da Europa agora vinham os Estados Unidos e a União Soviética.”

(Michael Neiberg, “Potsdam: The end of World War II and the remaking of Europe“)

A Conferência de Potsdam, que ocorreu entre 17 de julho e 2 de agosto, foi uma reunião entre os líderes de três países Aliados: União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra. Seus respectivos representantes eram Josef Stálin, Harry Truman e Winston Churchill, que foi substituído como primeiro-ministro por Clement Attlee no meio das negociações. A Alemanha havia sido oficialmente derrotada em maio, portanto, um dos principais objetivos da Conferência era decidir o que seria feito com o país perdedor.

Algumas das principais determinações de Potsdam foram a revisão de todas as anexações alemãs após 1937, incluindo a separação da Áustria, o estabelecimento das novas fronteiras e a expulsão das populações germânicas dos territórios que ficaram de fora. Também foram traçadas as zonas de ocupação Aliada na Alemanha, assim como na Áustria, como havia sido determinado na Conferência de Ialta. Outra decisão de grande importância histórica foi a decisão dos objetivos dessa ocupação, que seriam: desmilitarização, desnazificação, democratização e descartelização. Parte do processo de desnazificação foi o julgamento dos criminosos nazistas no Julgamento de Nuremberg. Quanto ao Japão, que ainda não havia sido derrotado, foram definidos os termos finais de um ultimato para sua rendição.

A Conferência de Potsdam marca o início da desintegração da cooperação entre os Aliados agora que seu maior inimigo no palco de guerra europeu estava finalmente derrotado, e o início da Guerra Fria. Mais do que isso, no entanto, Potsdam é o marco final de uma era que havia começado com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

“O assassinato deve ser tentado a qualquer preço. Mesmo que ele falhe, a tentativa de assumir o poder na capital deve ser levada adiante. Devemos provar para o mundo e para as gerações posteriores que os homens do movimento de resistência alemã ousaram dar o passo decisivo e arriscar nele sua vida. Comparado a esse objetivo, nada mais importa.”

(Henning von Tresckow, citado em Schlabrendorff, “Revolt against Hitler“)

No dia 20 de julho de 1944, o coronel Stauffenberg foi se encontrar com Hitler no quartel-general de Rastenburg, carregando duas bombas em sua maleta. Seu objetivo era assassinar o Führer e iniciar um golpe militar para derrubar o regime nazista - a Operação Valquíria. Stauffenberg plantou a bomba, saiu da sala alegando que precisava dar um telefonema, assistiu à detonação e voou direto para Berlim para se juntar ao golpe. Mas para a infelicidade dos conspiradores, ele só conseguiu ativar uma das bombas e a explosão não foi fatal. Além disso, eles falharam em cortar todas as linhas de comunicação de Rastenburg e Hitler conseguiu assumir rapidamente o controle do caos. Stauffenberg foi detido pelo coronel Fromm, que mudou de lado ao descobrir que Hitler ainda estava vivo, e fuzilado com outros militares.

Inicialmente, Hitler acreditou que o golpe havia sido obra de uns poucos oficiais descontentes, mas à medida que a investigação da Gestapo progredia foi ficando mais claro que havia um número considerável de envolvidos. Quase 5 mil pessoas foram presas, mil foram mortas ou se suicidaram, e em muitos casos a punição se estendeu também às famílias dos conspiradores. Um golpe como esse, envolvendo oficiais do alto escalão e membros importantes do governo, era o único tipo de resistência que poderia ter tido uma chance real de derrubar o governo. Os homens envolvidos eram inicialmente apoiadores do regime nazista, que haviam aprovado diversas políticas do Führer. Mas, à medida que a guerra progredia, e especialmente quando ficou claro que a Alemanha ia perder, eles se desiludiram com a liderança de Hitler e se opuseram moralmente ao papel do exército nas operações e extermínio.

“Desorientado e desmoralizado, ele começou a sofrer de dores de estômago que minaram sua energia. [...] Como ele era não apenas comandante-chefe das Forças Armadas, mas também detinha muitos ministérios importantes, isso acabou gerando um vácuo no centro do poder. [...] A reação de Mussolini às críticas que lhe foram apresentadas foi fraca e confusa. Ele mal parecia saber o que estava acontecendo e não conseguiu apresentar uma contraproposta, levando muitos a pensar que não fazia objeções”

(Richard Evans, “O Terceiro Reich em Guerra“)

 

 Em 15 de julho de 1943, Benito Mussolini era retirado do poder na Itália devido aos seus fracassos militares na Segunda Guerra Mundial. O governo fascista havia sido instaurado em 1922, após a Marcha sobre Roma, e as medidas de restrição e censura foram intensificadas a partir de 1925. O Partido Nacional Fascista tornou-se único e opositores foram perseguidos. Alinhada à Alemanha nazista, a Itália entrou na Segunda Guerra Mundial com alguns avanços iniciais. A situação, entretanto, não se manteve. A partir de 1942, com o avanço dos Aliados sobre territórios ocupados, a Itália sofreu diversas perdas, como a Sicília e Palermo, além do fim da guerra no Norte da África, definida a favor dos Aliados. As tropas italianas estavam casadas e desmoralizadas, e Mussolini, desacreditado.

 

Além disso, em 1943, Mussolini havia realizado um grande expurgo no Partido Fascista, devido à crescente oposição no interior da organização. Nesse período, o líder já não estava tão ativo na cena pública e os chefes demitidos do partido começaram a fazer intrigas contra ele. Os membros do Grande Conselho do Fascismo decidiram destituí-lo da maior parte de seus poderes em uma reunião ocorrida nos dias 24 e 25 de julho de 1943. Após a votação, ficou decidido o afastamento de Mussolini do poder, e o Duce foi demitido pelo rei italiano Victor Emmanuel III. O sucessor de Mussolini, Pietro Badoglio, negociou um armistício com os Aliados e a Itália foi ocupada por tropas alemãs descontentes com a deserção italiana. 

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