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Calendário histórico

Junho de 2020

“Em todos os momentos, Eichmann fez o máximo para tornar final a Solução Final - isso não estava em discussão. A questão era apenas se isso constituía prova de seu fanatismo, seu ódio ilimitado aos judeus, e se ele havia mentido à polícia e cometido perjúrio no tribunal ao afirmar que sempre obedecera a ordens.”

(Hannah Arendt, “Eichmann em Jerusalém”)

Adolf Eichmann foi considerado culpado em seu julgamento em Jerusalém e morreu enforcado em cumprimento a sua pena em 1 de junho de 1962.

Eichmann havia fugido para a Argentina em 1950 e foi julgado em 1961 após ser raptado pela Mossad, serviço de inteligência israelense. Membro do alto escalão da SS e conhecido como um “perito nas questões judaicas”, Eichmann foi um dos últimos nazistas proeminentes a serem julgados após a Segunda Guerra Mundial. Foi responsável pela deportação de milhões de judeus e poloneses e esteve presente na Conferência de Wansee em 1942, na qual funcionários nazistas e da SS definiram a “Solução Final para a Questão Judaica”, a saber, a deportação e extermínio dos judeus das regiões ocupadas.

O caso de Eichmann surpreende por ele ser a representação máxima do burocrata absolutamente normal que pensava estar apenas executando sua tarefa da forma mais eficiente possível. O regime nazista deu cabo do extermínio de milhões de judeus e outras minorias justamente pelo trabalho de homens como Eichmann, e é aí que mora o grande perigo. Ao contrário do que se pode pensar, não são lunáticos e bárbaros que fazem as maiores barbaridades: são seres humanos normais, regulares e até tediosos.

Seu enforcamento em um julgamento realizado em Jerusalém representou um grande acerto de contas na história. Como lembra Hannah Arendt, o que estava sendo julgado não eram as ações de um indivíduo: Eichmann representava o Terceiro Reich, o antissemitismo e o longo processo de eliminação dos judeus da sociedade alemã, que culminou nas câmaras de gás. No entanto, como lembra Tzvetan Todorov, podemos nos livrar dos Himmler e dos Goebbels com facilidade, mas os Eichmann seguem muito próximos de nós.

“No curso dos últimos quatro meses foi-se provado — pelo trabalho de Joliot na França assim como o de Fermi e Szilard na América — que pode ser possível provocar uma cadeia de reações nucleares numa grande massa de urânio, no qual grandes quantidades de poder e um novo tipo de radiotividade seriam geradas. Agora parece quase certo que isso poderá ser atingido num futuro próximo”

(Carta Einstein-Szilárd, 1939)

Em 18 de junho de 1942, o Comitê do Urânio S-1 deu início oficial às suas atividades no Projeto Manhattan, após a aprovação do presidente estadunidense Franklin Delano Roosevelt. O objetivo do projeto era pesquisar e desenvolver tecnologias nucleares. As atividades relacionadas ao projeto haviam se iniciado em 1939, quando os físicos Leó Szilárd e Eugene Paul Wigner enviaram uma carta ao presidente Roosevelt alertando para o potencial da energia nuclear para o desenvolvimento de novos tipos de bombas. O documento, conhecido como Carta Einstein-Szilárd, pois foi assinado também por Albert Einstein, serviu como pontapé para o início das atividades do Comitê Consultivo do Urânio, que investigaria as questões apontadas pelos físicos.

Após serem verificadas, em junho de 1941, o Comitê do Urânio S-1 foi criado para estudar quais métodos seriam mais eficazes na construção de armamentos que utilizavam tecnologia nuclear. A primeira reunião do grupo foi realizada em dezembro de 1941, após o ataque à Pearl Harbor e a consequente entrada dos Estados Unidos na Guerra, que dava o tom da urgência do momento.

O teste Trinity, que ocorreu em 16 de julho de 1945, foi o primeiro teste de explosão de um dispositivo nuclear e, menos de um mês depois, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram atingidas pelas bombas Little Boy e Fat Man, respectivamente, em 6 e 9 de agosto de 1945. O projeto continuou até 1947, realizando mais testes de bombas, desenvolvendo armamentos e uma rede de laboratórios para prosseguir com a pesquisa. Em janeiro de 1947, foi criada a Comissão de Energia Atômica, para ocupar as funções antes atribuídas ao projeto.

“A humilhação francesa parecia completa. Contudo, o pior estava por vir. Sob ordens pessoais de Hitler, o vagão particular do marechal Foch, comandante francês na Primeira Guerra Mundial, no qual fora assinado o armistício de 11 de novembro de 1918, foi apanhado em um museu e, depois que as paredes do museu foram derrubadas por uma equipe alemã de demolição, o vagão foi retirado e rebocado para o local que havia ocupado na floresta de Compiègne durante a assinatura do armistício. [...] De acordo com esse tratado, todos os combates cessaram na manhã de 24 de junho de 1940. A França foi dividida em duas, uma zona ocupada a norte e outra a oeste, com um Estado nominalmente autônomo a sul e a leste, governado da cidade balneária de Vichy pelo governo existente do marechal Pétain, cujas leis e decretos eram válidos em todo o país”

(Richard Evans, ”O Terceiro Reich em Guerra”)

Em 22 de junho de 1940, a França assinou o Segundo Armistício de Compiègne, que marcou o fim da Batalha da França e a invasão da Alemanha no território. No documento, foram estabelecidas as condições formais da ocupação alemã na França, que ficou dividida em duas grandes zonas: a zona ocupada, ao norte, sob controle direto do Terceiro Reich, e a zona livre, ao sul, que ficou conhecida como França de Vichy. Diversas limitações militares foram impostas ao país pela Alemanha, como o desarmamento das tropas e a redução de seu número a 100 mil homens.

O armistício foi assinado pelo marechal Phillipe Pétain, que assumiu o cargo de primeiro ministro da França após a abdicação de Paul Reynaud, que ocupou o cargo durante a batalha contra a força alemã. Pétain estabeleceu um regime autoritário na cidade de Vichy, que passou a ser a sede do governo. O marechal conseguiu plenos poderes concedidos pela Assembléia Nacional da Terceira República Francesa, que logo foi dissolvida. A partir de então, diversas medidas liberais foram anuladas, a economia passou a ser rigorosamente controlada, bem como os sindicatos. As mulheres perderam independência e os meios de comunicação ficaram sob constante vigilância, passando a transmitir mensagem antissemitas e anti-bolcheviques.

"Mas os problemas do Congresso de Viena, grandes como foram, se tornam insignificantes em comparação com aqueles que tivemos de tentar resolver na Conferência de Paris. Não é apenas um continente que está envolvido - todos os continentes estão envolvidos"

(David Lloyd George, abril de 1919)

O Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de junho de 1919 e é considerado o mais importante tratado elaborado pela Conferência de Paris. A conferência tinha o objetivo de restabelecer a paz, em um contexto de enorme instabilidade política, complicado ainda mais pelos estragos resultantes da guerra.

O tratado estabeleceu os termos definitivos da paz, mas os conflitos já haviam sido interrompidos com a assinatura do armistício em 1918. Muitos alemães se recusaram a crer que seu país havia sido derrotado militarmente e consideravam o armistício uma traição à pátria. O mito da "facada nas costas"- de que a Alemanha só havia sido derrotada por culpa de uma conspiração interna, judaica - se tornou extremamente popular. Por conta disso, o Tratado de Versalhes foi considerado uma humilhação imperdoável.

Como resultado do tratado, a Alemanha foi obrigada a assumir a culpa pela deflagração da guerra e a pagar indenizações para França e Bélgica em compensação pelos danos causados pela ocupação alemã durante a guerra. Além disso, a Alemanha perdeu um décimo de sua população, 13% de seu território e todas as suas colônias ultramarinas. O país também não podia ter mais que 100.000 soldados e usar artilharia pesadas ou tanques. No entanto, o aspecto do tratado que mais enfureceu os alemães foi a proibição da unificação com a Áustria. A recusa inclusive violava o princípio de autodeterminação dos povos, defendido pela própria Conferência de Paris.

De acordo com Richard Evans, os termos do Tratado de Versalhes eram mais amenos que aqueles que a Alemanha planejava impor às outras potências se tivesse vencido. No entanto, o ressentimento gerado por sua assinatura foi mobilizado pelos nazistas para angariar apoio e é importante para compreendermos as causas da Segunda Guerra Mundial.

"Se alguém me reprova e pergunta por que não invocamos os tribunais regulares para sentenciar, minha única resposta é a seguinte: naquela hora, eu era responsável pelo destino da nação alemã e era portanto o magistrado supremo do povo alemão! [...] A nação deve saber que ninguém pode ameaçar sua existência - que é garantida pela lei e ordem internas - e escapar impune! E cada pessoa deve saber para sempre que, se erguer a mão para atingir o Estado, seu destino será a morte certa."

(Discurso de Hitler, 13 de julho de 1934)

Após a chegada de Hitler ao poder, a SA (Tropas de Choque) perdeu sua função, pois a oposição de esquerda tinha sido suprimida. Deixados sem propósito, os camisas-pardas passaram a se envolver em brigas de rua e todo tipo de tumulto, desagradando os alemães com a violência constante. A SA havia sextuplicado de tamanho desde 1933, e seu líder, Ernst Röhm, tinha planos ainda maiores para suas tropas. Isso se tornou um problema para o Partido, especialmente por conta dos atritos com o exército alemão. O perigo de uma guerra civil se tornava a cada dia mais concreto. Para tornar a situação ainda mais delicada, começaram a circular boatos entre as lideranças dos SA sobre um golpe de estado - uma "noite das facas longas". Os conservadores também estavam se mobilizando contra os nazistas, liderados pelo vice-chanceler Papen. E o presidente Hindenburg, que atuava como mediador, estava doente e afastado.

Em abril de 1934, os nazistas tomaram a iniciativa e fizeram um acordo com o exército para uma ação contra a SA. Ao longo os meses, Himmler, o líder da SS (Tropas de Proteção), forjou provas de uma conspiração falsa liderada por Röhm com os conservadores e parte do exército contra Hitler. A ação aconteceu em 30 de junho. Os líderes da SA foram executados, e vários camisas-pardas foram presos.

Os nazistas também aproveitaram a oportunidade para eliminar todos os seus adversários políticos no governo. A escala do expurgo foi considerável e pelo menos 85 pessoas foram executadas ilegalmente. A partir dessa ação, a SS ganhou muito prestígio e efetivamente substituiu a SA.

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