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Calendário histórico

Maio de 2020

“O Nacional Socialismo não é apenas uma doutrina política, é uma perspectiva geral, total e todo-abrangente, sobre todas as questões públicas. Portanto, por uma questão de suposição natural, toda nossa vida tem que se basear nela. Esperamos que chegue o dia em que ninguém precisa mais falar sobre Nacional Socialismo, visto que terá se tornado o ar que respiramos!”

(Discurso de Joseph Goebbels, 1935)

Em 1 de maio de 1945, após a morte de Adolf Hitler e após acompanhar um médico da SS dar a seus seis filhos cápsulas de ácido cianídrico, Joseph Goebbels e sua esposa Magda cometem suicídio no bunker em Berlim. Hitler, em seu testamento, havia nomeado Goebbels a Chanceler da Alemanha; no entanto, ele declina o cargo, afirmando aos prantos que ficaria “ao lado do Líder, para terminar uma vida que, para mim, não tem mais valor se não puder se usada a serviço do Líder e ao lado dele”. Goebbels era doutor em filosofia e ingressou no Partido Nazista em 1924. Foi Ministro da Propaganda durante todo o regime e possuía o controle absoluto de toda a imprensa, arte e educação da Alemanha. A propaganda foi, durante o Terceiro Reich, um instrumento fundamental de manipulação ideológica e de coesão popular, reforçando a ideia do nacional socialismo como uma revolução cultural completa. Rádio, cinema, música, literatura, jornal: tudo passava pelo crivo do Ministério. Desta forma, a repressão, a censura e a propaganda trabalharam em conjunto para criar uma Alemanha orgânica como sociedade e como cultura.

Em 1944, Hitler nomeia Goebbels a Plenipotenciário do Reich para a Guerra Total, cargo que fez com que o mesmo tomasse várias medidas para o fortalecimento do front interno, com a propaganda maciça antissemita e antissoviética, e do front externo, com o recrutamento de cada vez mais pessoas para a produção de armamento. De acordo com Ian Kershaw, Goebbels havia sucumbido ao mito do Führer no processo de sua fabricação, afinal, o Ministro havia sido o grande responsável pela construção da imagem do Líder nos primeiros anos de governo e pela manutenção dessa imagem no fim da guerra. O Terceiro Reich também é produto de Joseph Goebbels.

“Nas décadas de 1950 e 60, a geração de meu pai não conseguiu falar sobre suas experiências passadas porque sabia que havia muitos crimes e se sentia incapaz de agir como exemplo. Então minha geração na Alemanha viveu em um vácuo moral. Não houve orientação. Tudo estava podre. A orientação moral, a orientação judicial e até as tradições nacionais e familiares da história alemã - desde o líder até as histórias. Eu acho que minha geração na Alemanha foi influenciada pelas consequências desses doze anos horríveis”

(Götz Aly em entrevista para o Yad Vashem)

Hoje celebramos o aniversário do historiador alemão Götz Aly. Nascido em 3 de maio de 1947, na cidade de Heidelberg, Aly conseguiu sua habilitação em ciência política na Universidade Livre de Berlim, com uma dissertação sobre as eutanásias praticadas por nazistas em crianças deficientes, ações que ficaram conhecidas como Aktion T4 após a guerra. Quando estudante, integrou o Movimento Estudantil Alemão, que foi um movimento de protesto ocorrido na década de 1960, contrário ao autoritarismo do governo da Alemanha Ocidental e as más condições de vida enfrentadas pelos estudantes. Foi professor visitante em pesquisas sobre o Holocausto no Instituto Fritz Bauer em Frankfurt, entre 2004 e 2005, e no Instituto de História Contemporânea da Universidade de Viena entre 2012 e 2013. Também atuou como pesquisador visitante no Yad Vashem.

Os estudos de Aly se centram no Holocausto e na participação das elites no governo nazista. O historiador ganhou destaque com o lançamento de seu livro “O Estado Popular de Hitler”, no qual explora a ideia de uma “ditadura de conveniência”. Para Aly, o apoio popular ao nazismo, compreendido a partir de situações como a facilidade de ascensão social e a expansão de políticas voltadas para o bem-estar social, só foi possível com as pilhagens realizadas nos territórios ocupados. Outras obras de destaque são "Hitler's beneficiaries" e “Final Solution': Nazi Population Policy and the Murder of the European Jews”, nos quais ele argumenta que lideranças locais e membros de baixa patente influenciaram as decisões do Partido Nazista em prol da Solução Final.

“Camaradas do Exército e Marinha Vermelhos, comandantes e instrutores políticos, guerrilheiros e guerrilheiras! O mundo inteiro os vê como uma força capaz de aniquilar as hostes espoliadoras de agressores alemães, e os povos da Europa subjugados por elas os consideram seus libertadores. Recaiu sobre vocês, portanto, a grande missão emancipatória: mostrem-se dignos dela! A guerra travada por vocês é uma guerra justa de libertação. Nessa luta, inspirem-se nos grandes exemplos de nossos valentes antepassados [...] sejam cobertos pela bandeira vitoriosa do grande Lenin!”

(Joseph Stalin, Praça Vermelha, 1941)

Nascido em 18 de dezembro de 1878 na Geórgia, Joseph Stalin foi um dos principais líderes comunistas soviéticos. Ainda jovem, Stalin teve acesso aos ideais marxistas e aderiu ao movimento e ao longo da sua trajetória tornou-se Secretário Geral do Partido Comunista, em 1922. Em 6 de maio de 1941 tornou-se Primeiro Ministro da União Soviética, exercendo a função de Presidente do Conselhos de Ministros até o seu falecimento em 1953. Seguindo a sua inclinação ideológica dentro do marxismo, foi um dos contribuidores da divulgação e adesão a interpretação marxista-leninista.

Após sua nomeação como Primeiro Ministro, Stalin precisou lidar com as ameaças externas vindas da Alemanha. Em 22 de junho de 1941, Adolf Hitler deu início a Operação Barbarossa, cujo objetivo era ocupar as principais cidades da URSS, quebrando assim o pacto de não agressão assinado pelos líderes dos dois países em 1939. Frente aos ataques nazistas, a estratégia soviética foi a aproximação dos Aliados, mas ainda assim, a Wehrmacht (Exército Alemão) foi capaz de conquistar parte do território soviético. A técnica que garantiu o sucesso do Exército Vermelho foi a da terra arrasada, que consistia na destruição de abrigos e suprimentos antes que os alemães pudessem apreendê-los. A vitória soviética a ofensiva alemã marcou um grande ponto de virada na Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, Stalin intensificou a perseguição contra a oposição política e tais posturas do líder culminaram, posteriormente, nas revoluções nos países satélite.

“Esse homem [Adolf Hitler] entendeu como colocar o povo alemão e, com isso, a Igreja alemã, em um 'Estado dos sonhos'. E neste sonho, o povo alemão e os cristãos da Alemanha, da Igreja Evangélica e da Igreja Católica, sonhavam que alguma coisa, como uma nova relação de Deus, tomaria lugar a partir do que este homem pensava, dizia, queria e fazia. E então, a chamada 'Igreja Confessante' disse um definitivo 'não' a este sonho.”

(Entrevista de Karl Barth, 1967)

Karl Barth é um dos nomes mais conhecidos do protestantismo no século XX. Suíço, sua teologia foi duramente impactada pelo contexto social onde suas ideias se formularam: inicialmente um teólogo liberal, que acredita que o Reino de Deus seria cumprido na terra com os esforços dos homens, viu, diante dos seus olhos, o terror produzido pela própria humanidade na Primeira Guerra Mundial. Em 1919, no momento caótico de fundação da República de Weimar, Barth escreveu a obra que o lançou como referência entre os especialistas: seu comentário da Carta dos Romanos, onde transpunha uma carta escrita em grego do séc. I para um chamado às necessidades do homem moderno.

Professor universitário renomado e uma das principais lideranças da Igreja Confessante (grupo de resistência a nazificação do protestantismo), Barth foi o principal signatário da Declaração Teológica de Barmen, ofício inaugural do grupo de resistência. Foi exilado da Alemanha em 1935 após ter recusado jurar fidelidade ao regime e conseguiu sobreviver fora do país ao mesmo tempo que via seus alunos e melhores amigos sendo presos e mortos em campos de batalha ou nos campos de concentração.

A teologia barthiana é, até hoje, um marco para teólogos do mundo inteiro. Barth tem o borbulhar de seu pensamento em meio a uma Europa em chamas. Sua oposição pessoal ao nazismo, mais do que do grupo que participou e que com tanto carinho permanecia rememorando décadas depois, é uma das principais referências da resistência religiosa e intelectual no período.

“Não é ainda o fim, nem mesmo o começo do fim, mas é o fim do começo.”

(Winston Churchill, pronunciamento sobre a Batalha de El Alamein, 1942)

Durante a Segunda Guerra Mundial foram realizadas diversas operações militares no Norte da África. Os conflitos tiveram início em 13 de setembro de 1940 e se desenrolaram até 13 de maio de 1943, quando as tropas alemãs e italianas se renderam aos Aliados. A Campanha norte-africana era importante para ambos os lados do conflito, principalmente aos interesses das potências do Eixo, tratando-se de um ponto estratégico para impedir o acesso dos Aliados ao petróleo do Oriente Médio, bem como aos recursos do território asiático e africano. Os conflitos no Norte da África se dividiram em três fases distintas: a Campanha do deserto Ocidental (no Egito ocidental e no leste da Líbia), a Operação Tocha (em Argélia e Marrocos) e a Campanha da Tunísia.

A estratégia dos Aliados durante grande parte das campanhas foi de passividade. Os britânicos atacavam somente onde haviam investidas dos alemães e italianos, no entanto, já no fim de 1942 o curso do conflito se transformou com a Batalha de El Alaimen. O conflito marcou o princípio da derrota das potências do Eixo no Norte da África e, a partir desse embate, os Aliados, com passos lentos e constantes, conseguiram derrotar as tropas do Eixo no território, contando com a participação expressiva de soldados africanos, muitos através de recrutamento forçado de ambas as frentes.

Mesmo com as baixas significativas de soldados das tropas inimigas (cerca de 220 mil durante toda a campanha) as potências do Eixo encontraram muitas dificuldades em combater os Aliados. Ao final de cada investida foram derrotados, tendo o embate final na Tunísia, onde soldados Aliados recuperaram o último porto sob posse das tropas do Eixo, em 1943, obrigando as tropas alemãs e italianas, já em menor número, a se renderem seis dias depois, no dia 13 de maio de 1943. Tais conflitos marcaram assim, não só uma grande derrota das tropas alemãs e italianas, mas também um ponto decisivo no contexto da Segunda Guerra Mundial.

“Todos os problemas que causam agitação hoje estão ancorados nas deficiências do Tratado de Paz, que não conseguiu fornecer uma solução criteriosa, clara e razoável para a questões mais importantes e decisivas da época e para todos os anos que viriam. Nem os problemas nacionais e econômicos - sem mencionar os problemas e demandas legais dos povos - foram resolvidos nesse Tratado de uma maneira que lhes permitisse resistir às críticas da razão. Portanto, é compreensível que a ideia de uma revisão não é apenas parte integrante dos efeitos colaterais das consequências do Tratado, mas sua necessidade foi prevista por seus autores, dando uma base legal no próprio Tratado.”

(Adolf Hitler, discurso no Reichstag, 1933)

Em 17 de Maio de 1933 Adolf Hitler manifestou perante ao Reichstag (Parlamento Alemão) algumas das suas percepções acerca do Tratado de Versalhes, acordo de paz assinado em 1919 com o fim Primeira Guerra Mundial, e das suas consequências aos interesses alemães. Nesse momento Hitler era chanceler e governava a Alemanha ao lado do presidente Paul von Hindenburg. Portanto, ocupava um lugar de alta importância no expoente político, além de ser um representante irrefutável do movimento Nacional Socialista. Nesse discurso, como em outros pronunciamentos, Hitler defende a reestruturação dos termos do Tratado de Versalhes de forma a revitalizar a Alemanha como uma grande nação novamente.

As principais condições impostas ao país no documento consistiam em: assumir a responsabilidade pela guerra, a reparação aos países envolvidos, a perda de territórios e a redução do seu poder militar. Tais fatores eram vistos, não só por Adolf Hitler e para os nacionais socialistas, mas por grande parte da população, como um fardo vergonhoso, logo, a política de Hitler era fortemente embasada em críticas a República de Weimar e a submissão alemã ao Tratado. Assim como no discurso ao parlamento, Hitler defendeu essa ideia em diversos trechos de sua obra, Mein Kampf, e a levou como missão para o seu governo, no qual angariou poder suficiente para romper com o tratado de paz sob a argumentação da prosperidade alemã.

“Do mesmo modo com o qual se vê acabar uma esperança, assim hoje foi o inverno. [...] quando vimos os primeiros flocos de neve pensamos que, se no ano passado, nesta época, alguém nos dissesse que veríamos ainda um inverno no Campo, teríamos ido tocar a cerca eletrificada, e que ainda agora deveríamos ir tocá-la se fossemos coerentes, a não ser por este insensato, louco resíduo de esperança inconfessável”

(Primo Levi, “É isto um homem?”)

Em 20 de maio de 1940, o campo de concentração de Auschwitz foi aberto na Polônia. Este foi o maior complexo construído pelo Terceiro Reich com o objetivo de deixar a Europa "judenfrei" - livre de judeus. Havia três campos principais, denominados Auschwitz I (campo principal e centro administrativo), Auschwitz II, também chamado de Auschwitz-Birkenau (campo de concentração e extermínio) e Auschwitz III, também conhecido como Auschwitz-Monowitz. Eles começaram a operar, respectivamente, em maio de 1940, março de 1942 e outubro de 1942. Além destes, havia 45 campos satélites.

Foram realizadas inúmeras experiências médicas com prisioneiros em Auschwitz I, além de esterilizações forçadas. Josef Mengele foi um dos médicos que trabalhou no campo conduzindo as “pesquisas” realizadas com gêmeos, anões, bebês e outros prisioneiros. Lá foi feito o primeiro teste com Zyklon B, substância utilizada para o extermínio nas câmaras de gás. Os extermínios foram posteriormente realizados em Auschwitz-Birkenau, onde foram construídos quatro prédios de cremação, que possuíam uma área para os prisioneiros despirem-se, uma câmara de gás, e fornos crematórios. As operações com gás em Auschwitz-Birkenau ocorreram até novembro de 1944. Em Auschwitz III funcionou uma fábrica de borracha, na qual os prisioneiros realizavam trabalhos forçados.

Cerca de 1,1 milhão de judeus foram deportados até a liberação do campo, em janeiro de 1945, por tropas soviéticas. O campo também recebeu outras 200 mil pessoas de diferentes grupos sociais. Pelo menos 960 mil judeus foram exterminados, além de cerca de 74 mil poloneses, 21 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, e 10 a 15 mil civis de outras nacionalidades.

“Vamos todos entender claramente que as próximas décadas [...] significam uma luta de extermínio dos oponentes subumanos [...] em todo o mundo que lutam contra a Alemanha, como o povo nuclear, da raça do norte, a Alemanha como núcleo do povo alemão, a Alemanha como portadora da cultura da humanidade; eles significam a existência ou inexistência da raça branca da qual somos o povo principal. [...] Temos a sorte de estar vivos exatamente no momento em que uma vez em 2 mil anos nasce um Adolf Hitler, e estamos convencidos de que sobreviveremos a todos os perigos nos bons e nos maus momentos, porque todos se mantêm unidos e porque cada um aborda seu trabalho com sua convicção”

(Discurso de Heinrich Himmler, 1937)

Heinrich Himmler se suicida em 23 de maio de 1945 após uma tentativa frustrada de fuga.

Himmler ingressou no Partido Nazista em 1923 e à SS (Schutzstaffel), grupo paramilitar, em 1925. De 1929 a 1945 encabeçou a SS, aumentando as suas funções e transformando-a em uma enorme organização, atuando de maneira ativa na execução do extermínio dos judeus. De acordo com Peter Longerich, biógrafo de Himmler, o nazista tinha uma capacidade “de combinar, de modo muito eficiente, visão de mundo e política de poder por meio da constante definição de novos objetivos para a SS”. A partir de 1943, se tornou Chefe da Polícia Alemã e Ministro do Interior, passando a supervisionar toda a rede de segurança nazista, interna e externa. Em abril de 1945, vendo os rumos da guerra, rompe com Hitler ao oferecer a capitulação da Alemanha aos Aliados.

Himmler era o coordenador de uma imensa rede de coerção e extermínio na Alemanha nazista e a partir de 1944 era a figura mais poderosa na hierarquia do partido. Como lembra Hannah Arendt, ele “demonstrou sua suprema capacidade de organizar as massas sob o domínio total, partindo do pressuposto de que a maioria dos homens não são boêmios, fanáticos, aventureiros, maníacos sexuais, loucos nem fracassados, mas, acima e antes de tudo, empregados eficazes e bons chefes de família.” E são esses homens eficientes que dão cabo de um extermínio sem precedentes na história da humanidade.

“Cada noite, esforço-me incessantemente para remover a suástica da bandeira nazista, o que me deixa orgulhosa e feliz, mas quando chega a manhã, lá está ela de volta, costurada na bandeira”

(Charlotte Beradt, “Sonhos do Terceiro Reich”)

Em 27 de maio de 1942, ocorreu em Praga uma operação cuja finalidade era assassinar o SS-Obergruppenführer e General der Polizei (Líder de Grupo Sênior e Chefe da Polícia) Reinhard Heydrich. Ele foi um dos fundadores da Sicherheitsdienst (SD), órgão encarregado de neutralizar a resistência ao Partido Nazista e pela Einsatzgruppen, divisão da SS responsável por diversas execuções em massa e que desempenhou um importante papel na implementação da Solução Final. O oficial, que na época tinha 38 anos e era Delegado Protetor do Reich para o Protetorado da Boêmia e Morávia, do qual Praga fazia parte, foi à cidade com o objetivo de acabar com qualquer resistência à ocupação nazista, que datava de março de 1939.

O atentado à Heydrich foi elaborado por uma organização de inteligência britânica, denominada Executiva de Operações Especiais, que recrutou exilados para a execução. Jozef Gabčík, um eslovaco, e Jan Kubiš, um tcheco, chegaram a Nehvizdy acompanhados por outros sete homens, de onde seguiram para Praga. Após dois meses de preparação, o líder nazista foi alvo de uma emboscada quando percorria o trajeto de sua casa em Panenské Břežany até seu escritório no Castelo de Praga. Heydrich foi atingido por estilhaços decorrentes da explosão de uma granada e por dois tiros. Apesar de ter sido socorrido e levado para um hospital, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu alguns dias depois, em 4 de junho.

Diante da situação, Hitler ordenou uma investigação para identificar os responsáveis. Cerca de 13 mil pessoas foram detidas e levadas para campos de concentração. Outras 5 mil pessoas foram mortas em ações de represália. Os responsáveis foram encurralados por tropas da SS em uma igreja em Praga, onde Kubiš e dois dos outros sete resistentes foram assassinados a tiros. Gabčík foi ferido e morreu no hospital. Os três homens restantes do grupo foram presos e executados.

“A realidade da destruição de quase todas as grandes cidades alemães e de muitas outras menores que, podemos supor, dificilmente poderia ser ignorada na época e ainda hoje, marca a fisionomia da Alemanha, durante a reconstrução e depois, como um silêncio auto imposto, como uma ausência que marca também outros domínios do discurso, da conversa familiar à escrita da história”

(W. G. Sebald, “Guerra aérea e literatura”)

No dia 30 de maio de 1942 a Força Aérea Real Britânica deu início aos bombardeios a cidade alemã de Köln (Colônia). Esse ataque marcou o início dos conflitos da Segunda Guerra Mundial em território alemão e se estendeu até 1945 com o fim da guerra. Nos anos seguintes os Aliados bombardearam constantemente cidades em toda a Alemanha, transformando não só Colônia, mas muitas outras em escombros, desfigurando-as completamente. A ofensiva foi chamada de “Operação Milênio” pelos britânicos e conseguiu em poucas horas arruinar as estruturas do território. Além das mortes causadas pelo ataque, mais de 45 mil pessoas perderam suas moradias, e a cidade precisou, assim, ser reconstruída às pressas, de forma que se perderam muitas das suas características prévias. Apenas casas históricas às margens do rio Reno tiveram a sua reconstrução à configuração do seu padrão anterior.


Os ataques aéreos às cidades alemãs foram importantes na virada do conflito da guerra, no qual intensificou-se a hostilidade contra os civis por parte dos Aliados, como tentativa de diminuir o apoio popular destinado ao regime de Adolf Hitler. Dessa maneira, a investida contra as cidades alemãs, em especial Colônia, buscava destruir pontos estratégicos com a perda numérica da população civil, sendo ainda hoje encontradas bombas soterradas na cidade e arredores. Os bombardeios tiveram um efeito enorme na mentalidade dos civis, que começaram a criticar a política de Hitler e almejar ainda mais o fim da guerra. A Catedral de Colônia foi um dos poucos pontos que sobreviveu aos bombardeios e representa até hoje um símbolo não oficial da cidade, e em 1996 foi classificada como um patrimônio da humanidade.

“Rejeitamos a falsa doutrina de que o Estado poderia ultrapassar a sua missão específica, tornando-se uma diretriz única e totalitária da existência humana, podendo também cumprir desse modo, a missão confiada à Igreja. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja poderia e deveria, ultrapassando a sua missão específica, apropriar-se das características, dos deveres e das dignidades estatais, tornando-se assim, ela mesma, um órgão do Estado”

(Trechos da Declaração Teológica de Barmen)

Entre 29 e 31 de maio de 1934, aconteceu o Primeiro Sínodo Confessante da Igreja Evangélica Alemã no distrito de Barmen, na Alemanha. Essa reunião eclesiástica foi o momento fundador da Igreja Confessante, núcleo dissidente da Igreja Protestante na Alemanha Nazista. O documento formulado e publicado durante a reunião – a Declaração Teológica de Barmen – é um dos principais ofícios eclesiásticos de todo o período nazista.

Publicado em maio de 1934 e tendo como principal redator o teólogo Karl Barth, a Declaração teve como finalidade criar consenso entre as três tradições protestantes – reformada, luterana e unida – para reivindicar a independência da Igreja frente a influência estatal e do controle do movimento teológico pró-nazista, os Cristãos Alemães. O breve documento é constituído por dois artigos e seis categorias temáticas de afirmações e rejeições acompanhadas, cada, de um versículo bíblico.

No ano anterior, já haviam ações de resistência religiosa na Alemanha. É importante lembrar, no entanto, que a Declaração se restringiu, praticamente, as críticas à nazificação da Igreja, mas não se opôs publicamente a perseguição de judeus e outras questões sociais latentes no período. Esse silêncio perseguiu a Igreja Confessante até seu fim, em 1945, sendo de maior destaque as ações individuais de membros do grupo como Karl Barth, Martin Niemoller e Dietrich Bonhoeffer, do que do grupo como um todo.

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