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Indicação de filmes

Julho de 2020

“Se eu soubesse que esta era uma reunião da Klan, eu não teria aceito esse maldito trabalho”

Como já mencionamos, fizemos uma parceria com o Grupo de Estudos de África Pré-Colonial da UFMG (GEAP). Uma das atividades dessa parceria será a produção de conteúdo em conjunto, então o GEAP passará a indicar aqui filmes com temáticas que perpassem nossos grupos.

A primeira indicação dessa parceria não poderia ser outra. "Infiltrado na Klan" é um filme de 2018, sob a direção de Spike Lee. A obra é uma narrativa ficcional de um caso real, em que Ron Stallworth, primeiro policial negro em Colorado Springs, se infiltra na Organização Ku Klux Klan fazendo um trabalho de investigação em 1978. Intercalando filmagens da época, cenas em estúdio e vídeos e discursos políticos atuais a narrativa do filme trata de importantes questões como antissemitismo, anticomunismo, racismo institucional e violência policial.

Com uma narrativa leve e bons alívios cômicos acompanhe Ron Stallworth (John Davis Washington) e seu parceiro Flip Zimmerman (Adam Driver) nessa importante investigação das ameaças e perigos da Ku Klux Klan e dos ideais de supremacistas brancos da década de 1970 e que perduram até hoje em muitos lugares e afetam a vida de negras e negros em todo mundo.

“- Eles dizem que um negro não pode ser da Pátria Mãe.
- E o que você diz?
- Eu digo que sou alemã.”

(Leyna Schlegel)

Nossa indicação de filme de hoje em parceria com o GEAP é de um filme controverso. ”Amor em Tempos de ódio” se propõe narrar a história de amor entre Leyna Schlegel (Amandla Stenberg) uma jovem negra alemã e Lutz (George MacKay) um membro da Juventude Hitlerista alemã. Alvo de muitas críticas, principalmente sobre a relação romântica entre os protagonistas, a obra de Amma Asante retrata o drama das “crianças da Renânia” e da população negra alemã no período do regime nazista (1933-1945).

Apesar das críticas, o filme apresenta personagens complexos e controversos fugindo de uma narrativa maniqueísta com heróis e vilões bem definidos. Os conflitos entre a identidade negra e Alemã de Leyna, a postura de Lutz antes e depois de combater na Guerra, a crise do meio-irmão de Leyna, Koen (Tom Sweet), ao receber na Juventude Hitlerista ensinamentos diferentes dos que aprendeu em casa, são exemplos das abordagens de sucesso de Asante.

”Amor em Tempos de Ódio” é uma obra relevante por tratar de importantes indivíduos históricos pouco mencionados ou conhecidos, como os negros alemães e a participação de soldados africanos nas duas Grandes Guerras Mundiais do século XX.


Mais uma indicação do GEAP aqui no nosso feed!

Ousmane Sembène é um diretor senegalês e um dos mais importantes nomes do cinema africano. Suas obras abordam temas importantes da história do Senegal e de toda a região do Oeste Africano, a chamada Senegâmbia. Dentre suas obras de destaque estão Moolaadé (2004), Ceddo (1974), Campo Thiaroye (1988) e a indicação de hoje, Emitaï (1971).

O filme trata de um vilarejo Diola na colônia França onde hoje é o Senegal. Seu objetivo é abordar os impactos da Segunda Guerra Mundial sobre os territórios coloniais e principalmente sobre os indivíduos africanos e suas tradições. A problemática central do filme são os alistamentos forçados de jovens Diola ao exército francês e, posteriormente, da cobrança de impostos e dos saques da colheita de arroz realizados pela administração colonial, a fim de manter o exército francês durante a Guerra.

Sembène denuncia os abusos do imperialismo francês e reforça a importância da participação africana na “Guerra dos Brancos”. Emitaï traz uma narrativa não ocidental que amplia os cenários de conflito da Segunda Guerra Mundial, inclui novos protagonistas e redefine às percepções de mocinhos e vilões.

“Você acha que conseguiríamos escapar do que está acontecendo? Fingir que essa insanidade não é real?”

(Jan Kubiš)

Nessa semana, a nossa indicação de filme é “Operação Antropoide”, do diretor Sean Ellis, que traz a história da operação homônima que resultou no assassinato do protetor do Reich Reinhard Heydrich. No filme, acompanhamos um grupo de resistentes liderado por Jozef Gabčik e Jan Kubiš, que foram selecionados pelo governo tcheco para realizar o atentado à vida de Heydrich.

Naquele momento, Heydrich era o encarregado do governo da Boêmia e Morávia e encarou uma ferrenha resistência tcheca no início de suas atividades. A reação do governador foi deter e executar àqueles participantes do movimento, resultando na morte de 404 pessoas nos primeiros dois meses de seu comando, de acordo com o historiador Richard Evans. Cerca de 1300 pessoas foram enviadas para campos de concentração. O sucesso de Heydrich na aplicação de tais medidas alarmou o governo tcheco, que cumpria exílio em Londres. Sem uma resistência atuante, a posição do governo exilado era frágil, especialmente considerando o panorama após a guerra. Diante disso, o governo britânico concordou com os tchecos sobre a necessidade de assassinar o protetor do Reich.

Após receberem treinamento em técnicas de sabotagem e espionagem dos britânicos, Jozef Gabčik e Jan Kubiš voaram para os arredores de Praga em maio de 1942 para dar cabo de sua missão. No filme, acompanhamos o desenrolar dessa árdua tarefa, bem como vemos as dificuldades enfrentadas pelos resistentes ao chegarem na capital tcheca. Os aspectos mais latentes da resistência em um regime totalitário são a sua improbabilidade e a sua irremediável necessidade, algo que fica claro ao acompanharmos a árdua trajetória de Gabčik, Kubiš e os demais envolvidos na operação.
 

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