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Indicação de filmes

Setembro de 2020

“Nesta terra que jamais seria deles, e trabalharam até suar, eles suaram até sangrar, e eles sangraram até morrer. Morreram de dedos cravados na terra castanha e dura, que jamais seria deles”

(Pappy McAllan)


Essa talvez seja a indicação favorita do GEAP. "Mudbound" é um filme trágico que acompanha a história de duas famílias no Sul dos Estados Unidos, mais especificamente no vale do rio MIssissipi. Os McAllan são uma família branca de antigos escravocratas e fazendeiros, enquanto os Jackson são uma família negra que trabalha para os McAllan e vivem em suas terras há gerações.

Nossos protagonistas Jamie McAllan (Garrett Hedlund) e Ronsel Jackson (Jason Mitchell) são soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial, onde eram vistos como heróis. Porém, voltando para os EUA, tem que superar seus traumas e dilemas em um mundo racista e violento. As experiências comuns da guerra fará surgir entre os dois uma amizade profunda que afronta as políticas de segregação norte-americana e o pensamento conservador da comunidade que frequentam.

Dee Rees expõe de forma dramática a complexidade da relação entre essas duas famílias que longe de limitar-se à questão do trabalho e da terra, é uma relação eminentemente humana construída num cenário de afetos, empatia e antipatia, amor, desamor e ódio. Em suma, um filme, como diz o título, de lágrimas sobre Mississipi.

“Parece estranho terminar a vida em um lugar tão horrível, mas durante três anos eu tive rosas e não pedi desculpas a ninguém. Eu morrerei aqui. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho, menos um. O da integridade. É pequeno e frágil e é a única coisa que vale a pena ter. Nós jamais devemos perdê-lo. Nem deixar que o tomem de nós”

(Valerie Page)


Dirigido por James McTeigue, “V de Vingança” combina uma série de elementos característicos dos autoritarismos e totalitarismos para criar um futuro distópico - agora pouco distante dos nossos dias, tanto temporalmente, quanto factualmente - no qual o Reino Unido está sob um regime totalitário. O Alto Chanceler Adam Sutler, ditador do Partido Fogo Nórdico, sobe ao poder após controlar o avanço de uma pandemia misteriosa que assola toda a Europa. Nesse contexto, o terrorista Codinome V busca meios para libertar o país de sua assombrosa realidade.

O personagem mobiliza a data de 5 de novembro para retomar o atentado ao parlamento britânico realizado por Guy Fawkes, em 1605, prometendo dar continuidade à destruição pretendida. O objetivo é que os cidadãos britânicos o apoiem na explosão do edifício que é símbolo do governo. Em meio à narrativa, V encontra Evey, uma jovem que estava sendo ameaçada por membros da polícia secreta - os “Homens Dedo” - por sair de casa após o toque de recolher. Ao salvá-la, ele encontra uma aliada inesperada.

O nacionalismo, a vigilância constante da população, a censura e a criação de inimigos da nação, como judeus, negros e homossexuais, são alguns dos aspectos que ficam claros ao longo da narrativa do filme. V pode ser visto como um personagem alegórico, representando, mais do que um simples resistente, uma personificação de ideias como liberdade, democracia e justiça. A redenção de Evey aparece como ponto incômodo na narrativa, devido à relação romântica traçada entre ela e V. A resistência, entretanto, é um ponto bem retratado no filme, que mostra claramente as dificuldades e impotências sentidas diante desse tipo de regime político.

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