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Indicação de literatura

Junho de 2020

“Mais de uma vez me avisaram (especialmente homens escritores): ‘As mulheres vão inventar para você. Vão criar’. Mas eu cheguei à conclusão: é impossível inventar isso. Copiar de alguém? Se é possível copiar isso, é só da vida; só ela tem tamanha fantasia.”

(Svetlana Aleksiévitch, “A guerra não tem rosto de mulher“, p. 17)

“A guerra não tem rosto de mulher“ é um livro de não ficção escrito pela jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, publicado originalmente em 1985. O livro surgiu a partir de uma questão pessoal da autora, que relata a presença marcante da Segunda Guerra Mundial em sua vida, mesmo para ela que nasceu em 1948, após o fim do conflito. Svetlana não escreve sobre a guerra que ficou registrada na história oficial, celebrada nas datas comemorativas, e sim sobre a que foi silenciada: a guerra como foi vivida pelas mulheres soviéticas.

A jornalista entrevistou centenas de mulheres que combateram na Segunda Guerra e registrou seus relatos. O livro combina história oral, jornalismo e literatura, criando uma narrativa polifônica que dá um lugar para que as vozes das depoentes sejam finalmente escutadas. Ao tornar públicas as memórias das mulheres, a jornalista efetivamente reescreve a história da guerra, inserindo nela outra dimensão do passado. De acordo com Aleksiévitch, cerca de um milhão de mulheres combateram no Exército Vermelho. As protagonistas do livro atuaram em todas as frentes, ocupando inclusive espaços tradicionalmente masculinos, e lidaram com pressões, expectativas e violências que não eram vividas pelos homens. Várias das soldadas que foram para o front relatam a discriminação social que sofreram após o fim do conflito por terem assumido esse papel ativo no combate.

Acima de tudo, esse livro privilegia a experiência humana. O objetivo da autora é narrar não os grandes eventos e atos heróicos que povoam a história tradicional e masculina sobre os conflitos, mas sim as pequenas vivências, por vezes mundanas e até mesmo sórdidas. Nas palavras de Svetlana, a história da guerra é a história de “pessoas ocupadas com uma tarefa desumanamente humana”.

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