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Indicação de literatura

Agosto de 2020

“Nós precisamos lembrar das coisas que nos foram impostas”

(Kim Hak-Sun)

A nossa indicação é o romance de estreia da escritora norte-americana Mary Lynn Bracht, “Herdeiras do mar”. Nascida na Alemanha, Bracht cresceu em uma comunidade de imigrantes sul-coreanos nos Estados Unidos e seu livro conta a história de duas irmãs coreanas separadas pelo tempo e pela guerra: Hana, em 1943, e Emi, em 2011.

A Coreia foi ocupada pelo Japão de 1910 a 1945. A partir de 1937, os coreanos sofreram uma assimilação cultural forçada para a integração das tradições japonesas, com o banimento do ensino e da fala da língua local, a proibição da literatura nacional e a substituição dos nomes coreanos por nomes japoneses. A partir de 1938, foi instaurado o trabalho forçado dos coreanos e, durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão utilizou a Coreia em seu esforço de guerra contra os Aliados. Em janeiro de 1945, os coreanos eram cerca de 32% da força de trabalho japonesa e, em agosto, quando os Estados Unidos lançaram as bombas atômicas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, cerca de 25% dos mortos eram coreanos.

O país ainda permaneceu dividido e ocupado até a Guerra da Coreia na década de 1950, já que, com o fim da Segunda Guerra e a derrota japonesa, o país ficou sob o domínio do bloco vencedor, sobretudo os Estados Unidos e a União Soviética. “Herdeiras do Mar” conta sobre esse momento da ocupação japonesa e do esforço de guerra obrigatório, focando em um aspecto quase nada mencionado na história mundial: Hana se torna uma “mulher de consolo” em 1943 e é levada para a Manchúria, aos 16 anos de idade, para “servir” aos soldados japoneses em um bordel. A história de fundo da narrativa é a de uma tradição antiga ainda viva na ilha de Jeju, da sociedade matriarcal das haenyeo: mulheres coreanas que mergulham no fundo do mar para prover para suas famílias.

“Mulheres de consolo” são uma realidade em todas as guerras e é de fundamental importância, como a própria autora diz, que essas histórias sejam contadas e reconhecidas para que algum tipo de reparação seja possível.

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